Cássio Pereira
Cássio Pereira é um contratenor brasileiro em ascensão no cenário da Música Antiga, reconhecido pela musicalidade refinada, expressividade cênica e timbre marcante. Atuou como artista convidado em importantes grupos vocais e produções líricas do estado de São Paulo, incluindo o coro de ópera do Theatro São Pedro, o Coral Jovem do Estado de São Paulo e montagens no Theatro Municipal de São Paulo.
Tem dedicado sua trajetória especialmente ao repertório barroco e à performance historicamente informada, aprofundando seus estudos sob orientação da soprano Marília Vargas. Recentemente retornou da Europa, onde vivenciou um período de aperfeiçoamento artístico e intercâmbio musical, ampliando sua atuação internacional.
Como a música entrou na sua vida?
A música entrou na minha vida de forma muito natural, ainda na infância, através da curiosidade e da emoção que eu sentia ao ouvir vozes e harmonias. Com o tempo, percebi que cantar não era apenas algo que eu gostava de fazer, mas uma necessidade de expressão. A descoberta do repertório barroco e da Música Antiga transformou completamente minha relação com a arte, porque encontrei nesse universo uma forma muito profunda e verdadeira de comunicar sentimentos através da voz.
Conte uma memória de infância?
Uma das minhas memórias mais fortes da infância é cantar sozinho em casa imaginando estar em um grande palco. Eu não entendia exatamente o que era técnica vocal ou carreira artística, mas já existia um encantamento enorme pela música. Também me lembro da emoção de ouvir coros e músicas sacras pela primeira vez, algo que me causava arrepios mesmo sem eu compreender o motivo. Hoje percebo que aquele fascínio já apontava para o caminho que eu seguiria na música.
Como você se prepara para um concerto? Você tem algum ritual específico?
Antes de um concerto, gosto de me preparar com bastante calma e concentração. Faço aquecimento vocal, reviso mentalmente o repertório e procuro entender novamente o texto e os afetos de cada peça. Também escolho cuidadosamente a roupa que vou usar, porque acredito que a presença cênica faz parte da interpretação. Um ritual importante para mim é ter um momento de silêncio antes de entrar no palco, para respirar fundo e me conectar emocionalmente com a música que vou apresentar.
Se você pudesse conversar com algum artista brasileiro de todos os tempos, quem seria?
Eu gostaria de conversar com Heitor Villa-Lobos. Acho fascinante a forma como ele conseguiu unir elementos da música brasileira com a linguagem erudita de maneira tão autêntica e inovadora. Seria incrível ouvir dele como enxergava a identidade musical brasileira e entender mais profundamente seu processo criativo. Tenho a impressão de que seria uma conversa muito inspiradora sobre arte, brasilidade e liberdade musical.